Sério, eu não sei como começar esse post. Pensei em mil títulos, mas acabei ficando com a data mesmo, porque ela é histórica. O dia chegou. Quanto tempo eu esperei por esse dia... e quanto mais ficava perto, mais agonizante era. Eu simplesmente acordei no sábado às 13hs e só consegui dormir na segunda às 7hs. 42 horas ligadão, sem nenhum componente químico. Apenas muita ansiedade e euforia. Tanto antes como depois. Mas vamos por partes.
A aventura começou no avião. Viajar de Webjet é a pior coisa do mundo. Me arrependi profundamente de ter economizado essa passagem. Avião desconfortável, com um ar condicionado fraquíssimo e empresa totalmente confusa. Uma escala no RJ que duraria apenas 20 minutos, durou 1:30h. Se eu perdesse o show de Paul por causa da Webjet, juro, estaria preso por destruir qualquer balcão deles que me aparecesse na frente.
Chegamos em POA com quase 2 horas de atraso. E lá, um misto de emoções começou a mexer comigo, ainda no táxi. Antes de mais nada, eu sempre sonhei em conhecer Porto Alegre. Poucos sabem, mas minha história musical começa lá, mesmo sem nunca ter ido lá antes. Se hoje eu tenho essa paixão pela música, toco e canto, tudo começou com um gaúcho ilustre de lá: Humberto Gessinger. Aos 8 anos, pedi pra meu pai o vinil do "O Papa é Pop", dos Engenheiros do Hawaii. Depois, tive todos os discos, virei um fanático pela banda, e principalmente pela figura de Humberto. Comecei a tocar no violão do meu tio (escondido, pois ele não deixava), até o dia em que juntei a família e toquei a primeira música que tinha aprendido: "Quartos de Hotel", do disco seguinte, "Várias Variáveis". Depois disso, minha mãe me deu o primeiro violão e eu comecei a tocar, e logo em seguida, a compor. Tudo graças a Gessinger. Ele é sem dúvidas a figura mais importante pra mim porque tudo começou com ele. Depois, adicionei outros grandes heróis na minha vida. E por coincidência, estava eu em Porto Alegre, terra do meu primeiro herói, pra ver aquele que eu considero o maior nome da música pop de todos os tempos. Coisas do destino, não tem jeito. Antes de chegar no hostel, ainda passamos por acaso na faculdade de arquitetura da federal do RS, onde os Engenheiros fizeram seu primeiro show. Arrepiei!
Chegamos no hostel rapidinho e tínhamos que comer bastante para aguentar a maratona do show. Não tinha outra alternativa: churrasco, tchê! Putz, que delícia. Incomparavelmente melhor que as churrascarias daqui. Coisa finíssima. Uma tal de Giovanaz, na cidade baixa. Comemos tanto que eu fiquei com medo de passar mal no show. Sem problemas. Volta pro hostel, toma banho e vamos nessa!
Fomos pro Beira-Rio e eu volto a me lembrar como Porto Alegre me trás grandes recordações. Logo após comprar o disco dos Engenheiros, no natal de 88, outra memória marcante da minha infância. Em fevereiro de 1989, o glorioso Esporte Clube Bahia seria campeão nacional novamente... Em Porto Alegre! E lá estava eu, chegando no estádio onde eu vi pela TV um dos mais emocionantes jogos de minha vida. E puta que pariu, LOTADO. Um sol de lascar e pessoas acampando. Falar nisso, Porto Alegre me surpreendeu... que calor desgraçado! Pior que Salvador, eu nunca imaginaria isso. Chegando lá, hora de mandar msgs pros amigos. O único que me respondeu foi Valdir, e fomos de encontro a ele. O cara pegou um lugar sensacional na fila. Conseguimos colar nele e pronto! Agora era só esperar. Ainda eram 15hs, então, tome ansiedade!
Aí, as coisas acontecem. Primeiro, eu morria de medo de nunca ver um show de Paul. Porra, o véi tá com 68 anos! A cada ano era um martírio pior. Mas tudo bem, isso chegou, né? A segunda preocupação era: "vou ver de perto ou de longe?". Não que eu me importasse. Eu iria ver de qualquer jeito. Mas pô, quem sabe ver Paul de perto? Aí é demais, né velho? Né não. Eis que de repente ouvimos sirenes... era Paul! Ele estava chegando no estádio. Eu e Valdir corremos, fomos pra uma grade... e... e... PUTA QUE O PARIU!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Paul abriu a janela do carro dele pra acenar para os fãs. Vimos Paul, no máximo, a 4 metros da gente. I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-E-L. Simplesmente surreal. Valdir filmou isso, e assim que ele colocar no youtube, colocarei aqui. Nossas caras de idiotas na hora é algo fantástico. É como uma criança num parque de diversões. Putz, que sorte a nossa. Vimos Paul de MUITO perto.
Já ia esquecendo de dizer que sim, eu fui de Paul!
E Paul não perde tempo. Chegou e já foi passar o som. E que passagem! Fiquei mortalmente arrependido de não ter comprado o ingresso com direito a passagem de som. O repertório foi melhor que o show! Começou com "Crossroads", um clássico do Blues, gravada por tantos ícones, entre eles, Clapton. Depois "Honey Don't", e "Honey Hush". Putz. E aí? E aí que ele tocou a música que eu mais queria ouvir: "Coming Up". Putz, a galera na fila foi ao delírio! E aí que Paul só tocou músicas fodas! "Magical Mistery Tour"; "I'm Looking Through You", "C Moon", "Something"... de repente, a galera pergunta: "ué, que música é essa?". "Não véi, mentira... MENTIRA QUE ELE TÁ TOCANDO BLUEBIRD!" Putz! Aí pronto, acabou, né? Nada. "Every Night". Só isso. Caíram as primeiras lágrimas na fila. Eita que quando começasse o show, ia ser um chororô desgraçado.
Logo que acabou a passagem de som, os portões foram abertos. Fiz um videozinho pra resgistrar esse momento:
Logo depois, a preocupação com os amigos: onde estão os irmãos JAH?
A espera foi cruel. E muito cansativa. Mas conseguimos descansar um pouquinho. Até deitamos na pista prime, com uma das 4 faixas que levamos pro show:
As outras 3 eram: "JET!" (que vocês vão ver no primeiro vídeo, vejam que bonitinho, pintei e tudo!), "Are we gonna DANCE TONIGHT?" (que Paul simplesmente viu e apontou!) e "Brian, This Way Up!, em homenagem ao disco de Brian Ray, meu amigo do twitter!). Infelizmente, a que eu mais queria que funcionasse era essa do MARRY ME PAUL. chuinf.
Oks, vamos ao que interessa, né?
As 21:05, a espera de 13 anos estava começando a acabar. Juro pra vocês que fiquei com medo de desmaiar, passar mal, enfartar. É sério mesmo. Quando as luzes se apagaram e Paul entrou no palco, eu chorei que nem uma putinha. Vergonhoso, porém assumo minha porra. Aliás, ao meu redor, quase todos choravam. Acredito que no estádio todo foi assim. Eu chorei de soluçar. Podem ver no vídeo que não dá pra ouvir minha voz cantando junto em Venus & Mars e Rockshow, pq eu simplesmente não conseguia parar de chorar. Só em Jet que eu retomei a consciência.
Eu já vi esse vídeo umas 100 vezes, e sempre me arrepio. É emocionante demais. Paul falando em Português é impagável! ehehehehe.
Depois da trilogia que abre o show, Paul toca a primeira dos Beatles. "All My Loving". Passam imagens lindas dos Beatles no telão. Muito emocionante. Na sequência, uma cacetada: "Letting Go". Wings na veia! Que rockão. Meu amigo Brian Ray sola demais nessa! Me arrepiei todo. Aí mais uma dos Beatles: "Drive my Car". Aí fica passando um videozinho massa de carros. Muito legal!
Na sequência, ele toca "Highway", faixa do último disco dele, que ele usa o codinome "Fireman". Essa é a que eu menos queria ouvir no show, até porque ele deixou de tocar "Got to Get you Into my Life". Fiquei chateado, mas não tenho o mínimo direito pra isso! ehehehehe.
Mas nada como uma música após a outra. Ao ver a guitarra colorida, é hora de vibrar demais: "Let me Roll It". Hora de ligar pra menina mais linda do mundo e pagar 4 minutos de deslocamento. Mas valeu muito a pena. :)
Vale destacar uma coisa: eu nunca vi um som tão perfeito em toda minha vida. Já vi shows de bandas gigantes como o U2, o Stones, o Oasis, o Muse, o Radiohead... mas fiquei impressionado com a qualidade do som de Paul. Tudo perfeitamente equalizado. Se nos outros shows eu percebia uma guitarrinha mais alta, um baixo destoando um pouquinho... fiquei de cara com a perfeição técnica de timbres e com os volumes. Isso, além de um som que não existe aqui no Brasil, aliado a um técnico de som com um ouvido filadaputa de perfeito, junta-se a algo importantíssimo: a dinâmica da banda. Caralho, Paul tem a melhor banda do mundo. Rusty e Brian são dois exímios guitarristas, e Brian substitui muito bem Paul no baixo, quando Paul precisa ir ao piano ou ao violão. Tudo bem que ele errou no refrão de "Let me Roll It" e Paul olhou com uma cara de "você vai perder esse cachêcídio, sacana!", mas ele é muito bom. Wix, tecladista, é um monstro. Toca com Paul desde a década de 80 e é o diretor musical da turnê dele. E pra completar, aquele que mais me impressionou: Abe Laboriel Jr. UM MONSTRO! Sem dúvidas, o melhor baterista do mundo. Toca com Clapton quando está de folga com Paul. Pirem aí... o cara pergunta: "e aí velho, tá matando esse cachê com quem?", e ele responde: "rapaz... com Paul e com Clapton". Só isso!!! Abe é um monstro. Além de ser muito carismático, sendo um destaque a parte no show, canta muito! E não vou nem comentar dele tocando. Quem quiser que veja o show e me diga depois. Um mito!
Parei onde? Ah, Let me Roll It. Depois dela, veio uma musiquinha aí. Acho que nunca chorei tanto em minha vida.
Eu já sabia que nessa eu ia desabar. No surprises. É a música que vai tocar em meu enterro. E agora eu já posso morrer em paz. Obra-prima.
Lágrimas de lado, vem mais uma do "Band on the Run", melhor disco da carreira solo de Paul. "Nineteen Hundred and Eighty-Five". Sensacional. Detalhe para o maravilhoso solo de Rusty, melhor do show. Tá bom de Wings? Tá nada. Let 'em In! Mais lágrimas, dessa vez com um sorriso estampado no rosto. Sensacional!
Acabou a parte Wings? Não, vai acabar agora. E vai começar a me acabar também.
"Ok... Alright. Eu escrevi essa música para minha gatinha Linda. Mas esta noite ela é para todos os namorados."
MY LOVE É SACANAGEM, PAUL.
e tome-lhe deslocamento... a Claro agradece.
Não vou colocar o vídeo de My Love porque eu o fiz especialmente para a MINHA gatinha. :)
E também porque é muita queimação. Eu choro demais.
O engraçado de ver meus vídeos é que você me ouve cantando em metade deles. Nos que eu não estou cantando, é certeza de estar chorando.
Aí chegou o momento do show que Paul costuma fazer as alterações. Quase tudo é no script, mas nesse momento pode aparecer qualquer uma. E que tal "I've Just Seen a Face"? Putz! Lágrimas! Pode piorar? Pode! "AND I LOVE HER!" Fiz questão de mandar msg pra meus amigos. Nunca imaginaria que ele tocasse essa! Nossa, linda demais. Chorei que nem uma mocinha perdendo a virgindade.
Quando você acha que nada pode piorar pra sua masculinidade, pois você está chorando a 4 músicas seguidas, Paul resolve fazer "Blackbird". E aí quando você acha que agora acabou de vez, lá vem Paul:
"Essa música eu fiz para meu amigo John".
Rapaz, "Here Today" é sacanagem. Me senti num Mortal Kombat nesse momento: apanhei, apanhei, apanhei e ainda levei um fatality. Não consegui nem cantar. Abaixei o rosto e desabei em lágrimas. "And I am holding back the tears no more... no, no, no. I Love you". Você é um fanfarrão, Sir Paul.
Acho que prevendo essa sequência chorosa, Paul resolve animar um pouco esse cidadão. Aí vem a música mais fofinha dele, "Dance Tonight". E aí que era hora de levantar mais uma das minhas plaquinhas. Demorou, mas Paul viu e até apontou! Entramos em êxtase. Tem o vídeo!
E na sequência, mais uma do Band on the run: "Mrs Vanderbilt". Muito do caralho! Ho! Hey Ho!
Mas o negócio de Paul era botar os outros pra chorar mesmo. E nada como pegar a obra-prima do meu disco favorito dos Beatles, o Revolver. Eleanor Rigby. Fiquei tão fudido que não consegui nem filmar. Lágrimas desabavam. "All the lonely people, where do they all belong?". Foda ao cubo.
Depois, diretamente do Ram, um dos melhores discos de Paul, "Ram On". Totalmente emocionante. O foda é que eu tava tão emocionado ainda com Eleanor Rigby que não me lembro de muita coisa dela. Juro! Vou ter que me concentrar em Sampa. Aí massa, né? Quando você começa a retomar a consciência, Paul resolve fazer uma propaganda do tributo a George Harrison que a Cavern Beatles vai fazer:
Essas imagens no fundo deveriam ser proibidas pela família de George. É foda. tenho dito. Eu choro só de revê-las. Baaaah, tchê.
Em alguns determinados momentos do show, Paul interagiu bastante com os Gaúchos. "Ah, eu sou Gaútchô!", "Baaaah Tchê!"... muito simpático com os Gaúchos. Aliás, um povo muito simpático. Gostei muito.
Depois Paul tocou "Sing the Changes", que é a que eu mais gosto desse último disco dele. Muito legal. E aí que na sequência, "Band on the Run" rolou. Foda! Pausa pra "Obladi, Oblada", que Paul errou a letra. Tá vendo galera? Quando eu erro a letra dela, todo mundo me escalda. Mas é difícil mesmo, pô. Até Paul erra!
O momento mais incrível do show foi "Back in the USSR". Achei que a galera ia pirar mais com Helter Skelter, mas essa foi a que mais agitou. Que rockão da porra. Saindo dela, mais uma pra chorar: "I've got a Feeling". Nada de black eyed peas. Essa é a original, que foda! Outra que fiquei tão emocionado que esqueci de gravar. SP que me aguarde!
Depois "Paperback Writer", que eu facilmente trocaria por qualquer uma do Wings. Ou "I'm Down".
Aí vem outra pra desabar qualquer ser humano: "A Day in the Life". Obra-prima. E ainda emendando "Give Peace a Chance" no fim.
As últimas 3 da primeira parte estavam chegando e a tristeza começa a bater. O show vai chegando ao fim. Só aí já temos quase 2 horas de show. Primeiro ele toca "Let It Be", que por mais batida que seja, não pode faltar. Os isqueiros começam a rolar por todo o estádio. Lindo demais.
E aí que o show chega no seu momento mais mágico, épico, fantástico, ensurdecedor, brilhante, impressionante... Posso usar todos os adjetivos aqui. Mas deixo pra vocês. Ok, tremi o tempo todo e surtei, como vocês vão ver, mas só quem está lá entende. É simplesmente de outro mundo.
O calorzinho que tanto me falavam, é bala!
Eu surtei. Puta que o pariu!
Depois, Hey Jude. Primeiro, é a melhor canção pop da história. Quem nunca viu aquele vídeo de um guri japonês de 4 anos cantando? Por mais batida que seja, entendam uma coisa: esse momento aqui é mágico.
De arrepiar.
Aí Paul deu o primeiro tchau. Todo mundo sabia que ele voltaria. E ele voltou, com a bandeira do Brasil. Foi lindo. Paul, e todos da banda estavam visivelmente emocionados. Eu tinha comentado isso com pessoas. Os shows na Europa e USA são frios demais. As pessoas já viram Paul 30 vezes, não se importam com "mais um" show. Aqui não. O show foi todo emocionante pra 99% das pessoas. Aí na volta ele toca 3 dos Beatles: "Day Tripper", a sensacional "Lady Madonna" e "Get Back". Mais um tchau, e dessa vez a gente já fica triste, sabendo que o próximo vai ser de verdade. Tristeza.
Paul resolve voltar sozinho, com o violão. O que falar da canção mais famosa do século XX? O que falar da música mais regravada na história? O que falar da música que toca a cada 7 minutos em alguma parte do mundo? De chorar... putz. (Não preciso nem dizer que música é).
Nenhuma música, eu disse, nenhuma música me tocou tanto e me mudou tanto como "Helter Skelter". Minha concepção musical mudou e muito depois que eu ouvi o white album pela primeira vez, e cheguei na faixa 6 do segundo disco. Visceral. Essa é a palavra pra definir Helter Skelter. Fantástica... quantas e quantas vezes já ouvi essa música, e não consigo enjoar. Fiz uma promessa e espero cumpri-la: nunca mais tocarei Helter Skelter. Não dá, pessoal. Eu nunca imaginei vê-la ao vivo. Quando Paul colocou no repertório, a 3 anos atrás, eu simplesmente não acreditei. E dá pra acreditar?
"That's what you want? That's what you get!"
E vi ao vivo. Putz.
Nessa hora, eu já pensava que tudo chegaria ao fim na próxima música. Mas não, não tinha chegado nada. Afinal, isso é pro resto da vida. Ver o show de Paul é uma experiência social e cultural, amigos. É como ir no Louvre, é como visitar Roma, Atenas... Você está ali de frente pra um dos ícones artísticos do século XX. Ouvindo canções que são tão importantes como quadros famosos ou ruínas históricas. Inacreditável poder fazer parte da história. E nada como fechar com chave de ouro, né?
Nada poderia ser mais propício. No final, o amor que você recebe é o mesmo que você dá. Depois de tantos anos tocando as músicas dos Beatles e de Paul com tanto carinho, alegrando muita gente, emocionando também, posso dizer que recebi da melhor forma aquilo que sempre sonhei: um show de um Beatle. Que venha Ringo agora! E claro, que venha os dois shows de Paul em Sampa. See you there!
PS: Pra vocês verem como a energia do show de Paul faz bem... na hora de voltar pra Salvador, a webjet cancelou meu vôo e eu acabei voltando de TAM, sem ninguém ao meu lado... :)
PS2: Não paga pra comentar, pessoal.
PS3: meu videogame. vou ali jogar!



